Produção e consumo andam de mãos dadas
O dinheiro que você tanto busca não está propriamente na criação de conteúdo, mas sim no quão consumível ele é
Eu não te conheço, você provavelmente também não me conhece, mas de uma coisa eu sei: em algum momento você julgou importante — talvez até necessário — estar aqui, ativamente. Seja escrevendo seus textos para fins pessoais; seja escrevendo-os para fins, digamos, financeiros e profissionais (assim como eu).
Se por um acaso você é daqueles com propósitos profissionais, negando ou não, o seu (e o meu) objetivo principal com isso aqui é um só: geração de receita. Dinheiro. Eu sei, eu sei, é meio babaca da minha parte falar isso aqui assim dessa forma, mas sejamos sinceros, a menos que você utilize a criação de conteúdo como uma espécie de terapia pessoal ou simplesmente como um meio de divulgar um hobbie (publicar seus contos, suas poesias, suas histórias, etc), o seu objetivo ao criar um conteúdo sempre será monetizá-lo de alguma forma.
E aqui entramos no ponto que eu queria na hora que este texto me veio a cabeça: esse famigerado dinheiro que tanto buscamos, não está na produção, mas no consumo. “Que raios isso significa, Bruno?”. Duas coisas:
1. Qualidade do conteúdo.
O que vale mais a pena, focar em poucas peças de conteúdo (posts, vídeos e textos), mas com excelente qualidade, ou produzir em escala e acabar abrindo mão da qualidade (pelo menos parte dela)? Há argumentos pertinentes em ambos os lados, mas o foco aqui não é dizer se esse ou aquele é melhor ou pior, afinal, cada um aplica da forma que consegue, de acordo com a própria realidade. O ponto aqui é que geralmente nós, criadores, produzimos conteúdo com a mentalidade equivocada (papo de coach aqui não!). Criamos conteúdo — e digo “conteúdo” da forma mais abrangente possível, independente do formato ou da plataforma — porque lá no fundo queremos exposição e garantia.
Exposição porque, para que as coisas comecem a tracionar e dar algum tipo de retorno, mesmo que aos poucos, precisamos de visibilidade, de exposição, e é exatamente isso o que ganhamos em troca de criar e publicar algo. Seja o algoritmo da rede social me recomendando para outras pessoas, seja as próprias pessoas me recomendando para terceiros.
E garantia porque ninguém tem energia infinita e muito menos a paciência necessária para permanecer anos fazendo a mesma coisa sem ter a mínima certeza de que um dia vá dar certo. Sendo assim, eu escrevo sobre X, Y e Z para te convencer (indiretamente) de que eu sei escrever. Eu compartilho os resultados dos meus clientes e alunos porque quero te convencer de que eu sei dar resultado. E eu gravo vídeos explicando ideias e resolvendo problemas para te convencer de que eu tenho a solução para o seu.
Dito de outra forma, o conteúdo agirá como um “intermediário”: Você cria para ter exposição. Com a exposição vem o consumo. O consumo provará (ou não) a sua capacidade. E provando a sua capacidade para as pessoas, é questão de tempo para fazer dinheiro.
2. Maximização do consumo.
Vivemos, hoje mais do que nunca, na era da superfaturação de informação e escassez de atenção. Há tanta informação disponível, nos mais diversos formatos, níveis técnicos e locais diferentes, que ela por si só já não é mais suficiente. Hoje, mais do que nunca, a informação se tornou commodity.
Podemos até disfarçar o olhar, fingir que não estamos vendo, que isso não passa de balela ou continuar insistindo na mesmice. Mas as pessoas percebem. Na verdade, elas já estão percebendo: que esse ou aquele conteúdo de fulano ou ciclano não é tão bom quanto antes, ou simplesmente deixou de ser “palatável”, consumível. Por quê? Excesso de informação.
As pessoas — digo, consumidores — não querem mais um vídeo no YouTube, um post no Instagram ou um texto no e-mail ou no Substack. Isso já tem aos montes e de sobra por ai. Elas querem uma resposta, um alívio, um direcionamento, algo que de fato faça sentido, mas com um “quê” a mais — tempero, personalidade… chame do que quiser. Não é sobre falar muito, é sobre fazer sentido, afinal de contas, o dinheiro não está na produção, mas sim no consumo.
Sendo assim, nada mais justo do que elevar o consumidor na potência máxima e usá-lo como principal métrica na hora de criar algo, pois ele é a linha da frente, o julgador; é ele quem detém a palavra final de que o que você produziu valeu ou não a pena. É bom ou ruim. É consumível ou não. E já que estamos aqui falando sobre consumo, acho válido pontuar duas características importantes que fazem parte desse tipo de conteúdo:
1. Gera emoção.
Tratando-se de consumo, principalmente na internet, “racionalidade” é uma palavra que pode se perder com certa facilidade. Numa visão geral, as pessoas são mais emocionais do que racionais no consumo. Geralmente você começa a ler um texto ou clica num vídeo não porque ele parece ser “o certo a se fazer naquele momento”, mas porque ele te gerou algum apelo emocional logo de cara: um título curioso, uma imagem que te deu água na boca, raiva por descrever exatamente o que você pensa ou sente e até medo.
2. Traz uma perspectiva única.
Ninguém dará muita bola se eu criar, por exemplo, um conteúdo te explicando as mais variadas formas e métodos de emagrecimento. É chato e um simples comando no ChatGPT já resolve o problema. Agora, se eu falar sobre o mesmo assunto, mas utilizando como contexto um caso de uma cliente real que perdeu 20 kg em menos de 4 meses sem precisar se render à dieta… ai meu amigo, a história é outra. O conteúdo ganha outra cara.
Não há métodos validados nem fórmulas prontas que te ensinem a fazer esse tipo de coisa, é algo que acontece meio que no feeling, sabe? Por exemplo: esse final de semana é a final da Copa do Mundo de Clubes da FIFA, então eu poderia, de alguma forma, usar esse acontecimento (ou alguma situação que aconteceu durante o campeonato) para criar um elo, uma relação, com algum conteúdo que eu vá escrever. O mesmo também é possível com livros, filmes, séries, músicas… enfim, não há limite para a criatividade. O ponto aqui é: ao criar um conteúdo levando em consideração dois assuntos que aparentemente não possuem relação alguma, automaticamente ele torna-se único, porque a relação entre os assuntos é você quem faz. É fruto da sua interpretação e análise.
É claro que há casos e casos. Um vídeo no YouTube pode ser consumível mesmo não tendo uma thumb chamativa e um título que gere alguma emoção — mas convenhamos que as chances não são tão altas assim. A mesma coisa pode acontecer com carrosséis de Instagram ou textos no Substack. Mas num momento em que há informação demais e anteção de menos, utilizar desses meios na hora de pensar, criar e temperar um conteúdo pode fazer toda a diferença.
Por hoje é só, mas eu espero te ver numa próxima. Por isso, se você chegou até aqui, considere se subscrever para não perder os próximos textos.
Bruno Avi

